Chegada no High School: Expectativas

Tempo de Leitura: 5 minutos

Quando um estudante embarca para um programa de High School no exterior, ele costuma passar meses imaginando como será sua nova vida. A escola americana dos filmes, os novos amigos, a família hospedeira, as viagens, o inglês fluente e todas as experiências que estão por vir criam uma enorme expectativa.

Isso é completamente normal.

Afinal, trata-se de uma das maiores mudanças que muitos adolescentes viverão até aquele momento. Porém, existe um detalhe importante que poucas pessoas consideram durante a preparação: as expectativas não pertencem apenas ao estudante.

Do outro lado da viagem também existem pessoas criando imagens, fazendo planos e imaginando como será essa convivência.

Entender essa dinâmica antes do embarque costuma tornar os primeiros dias muito mais leves e ajudar na adaptação desde o início.


O intercâmbio começa antes do avião decolar

Muitos jovens acreditam que a experiência começa quando o avião pousa no destino escolhido. Na prática, ela começa muito antes.

O processo tem início quando o estudante aceita sair da sua zona de conforto para viver uma rotina completamente diferente daquela que conhece.

Pela primeira vez, ele deixará para trás sua casa, sua escola, seus amigos, sua família e até mesmo os hábitos mais simples do dia a dia.

Parece algo óbvio, mas nem sempre o estudante para para pensar no tamanho dessa mudança.

Ao desembarcar nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra ou qualquer outro destino, tudo será novo ao mesmo tempo. Nova escola, novas regras, novos horários, novas pessoas, novos costumes e uma nova forma de viver.

Essa transformação faz parte da experiência e, justamente por isso, exige abertura para o desconhecido.


A família hospedeira também cria expectativas sobre você

Existe um exercício muito interessante para quem está prestes a embarcar.

Imagine que, em vez de viajar, você fosse receber um estudante internacional na sua casa. Um adolescente americano, australiano ou francês chegaria para morar com sua família durante vários meses.

Como você gostaria que essa pessoa fosse?

Provavelmente a maioria responderia que gostaria de receber alguém educado, respeitoso, simpático, organizado e disposto a participar da rotina da família.

Talvez você também esperasse que esse estudante demonstrasse interesse pela cultura brasileira, conversasse durante as refeições e estivesse aberto a viver novas experiências.

Agora pense em algo importante: a família que receberá você também está fazendo exatamente o mesmo exercício.

A família hospedeira também possui expectativas.

Assim como o estudante imagina a família perfeita, a família hospedeira imagina o intercambista ideal.

Esse entendimento muda completamente a forma como enxergamos os primeiros dias da experiência.


A adaptação acontece para os dois lados

É comum ouvir estudantes dizendo que estão preocupados com a adaptação à nova casa.

A verdade é que a adaptação não acontece apenas de um lado.

A família hospedeira também está ajustando sua rotina para receber alguém que vem de outro país, fala outro idioma, possui hábitos diferentes e cresceu em uma cultura completamente distinta.

Por isso, os primeiros dias costumam funcionar como um período de descoberta mútua.

Ninguém espera perfeição.

O que faz a diferença é a disposição para aprender, observar e respeitar as diferenças.

Muitos dos estudantes que vivem experiências positivas não são necessariamente os mais extrovertidos ou os que possuem o melhor inglês. Frequentemente, são aqueles que demonstram curiosidade, gentileza e vontade de participar.


Gentileza vale mais do que fluência

Uma preocupação muito comum entre adolescentes que vão fazer High School é o medo de não entender tudo o que as pessoas falam.

Nos primeiros dias, isso realmente pode acontecer.

Mesmo estudantes que estudam inglês há anos costumam enfrentar dificuldades iniciais com sotaques, velocidade da fala e expressões locais.

Nessas situações, a postura costuma ser mais importante do que a fluência.

Sorrir, demonstrar interesse, pedir para repetir uma informação e manter uma atitude positiva ajudam muito mais do que fingir que entendeu tudo.

A comunicação vai além das palavras.

Expressões faciais, tom de voz e disposição para participar das conversas transmitem segurança e ajudam a criar conexões, mesmo quando o idioma ainda não está completamente confortável.


Chegar observando costuma funcionar melhor

Outra expectativa que merece atenção envolve os hábitos da casa.

Muitos estudantes chegam ao exterior acreditando que a rotina será parecida com a que possuem no Brasil. Porém, cada família funciona de uma maneira diferente.

Algumas possuem regras específicas para refeições. Outras têm horários definidos para determinadas atividades. Existem famílias extremamente organizadas e outras muito mais flexíveis.

Por isso, uma das melhores estratégias para os primeiros dias é observar e perguntar.

Antes de assumir que algo funciona da mesma forma que em sua casa, vale a pena confirmar.

Esse cuidado demonstra respeito pelo espaço da família e evita pequenos desconfortos que poderiam ser facilmente prevenidos.

Além disso, mostra maturidade e interesse genuíno pela convivência.


Nem tudo será como nos filmes

As redes sociais e os filmes americanos criaram uma imagem bastante específica sobre o High School.

Muitos estudantes embarcam esperando se tornar imediatamente populares, participar de todas as atividades da escola e viver situações exatamente como aquelas que assistiram na televisão.

Embora algumas experiências realmente se pareçam com o que vemos nos filmes, a vida real costuma ser um pouco diferente.

Escolas que recebem estudantes internacionais fazem isso com frequência. Em muitos casos, você não será o único intercambista da comunidade.

Isso não diminui a experiência. Pelo contrário.

A convivência com pessoas de diferentes nacionalidades costuma enriquecer ainda mais o período no exterior.

Quanto mais realistas forem as expectativas, maiores serão as chances de aproveitar aquilo que realmente importa.


O primeiro encontro merece alguma preparação

Existe um momento que costuma gerar bastante ansiedade: o primeiro encontro com a família hospedeira.

Mesmo quando já houve conversas por vídeo, mensagens ou troca de fotos, encontrar essas pessoas pessoalmente é uma experiência bem diferente.

Por isso, vale a pena pensar com antecedência em detalhes simples.

Como você pretende cumprimentá-los? E como gostaria de ser chamado? De que maneira pretende se apresentar?

São situações pequenas, mas que ajudam a tornar esse primeiro contato mais natural.

Quando o estudante se prepara emocionalmente para esse momento, ele costuma chegar mais tranquilo e confiante.


Ter expectativas é normal. O segredo está na flexibilidade.

Todo intercambista embarca com sonhos, planos e imagens sobre como será sua experiência.

Isso faz parte da preparação e da empolgação que antecedem a viagem.

O problema não está em criar expectativas, mas o desafio surge quando elas se transformam em exigências.

Quanto mais rígida for a imagem construída antes do embarque, maior será a chance de frustração quando a realidade apresentar algo diferente.

Por outro lado, estudantes que mantêm a mente aberta costumam descobrir oportunidades que jamais haviam imaginado.

Muitas vezes, as melhores histórias do intercâmbio surgem justamente das situações que não estavam nos planos.


O começo da experiência define muito do que virá depois

Os primeiros dias não precisam ser perfeitos.

Eles precisam apenas ser vividos com disposição, curiosidade e respeito.

Quem embarca entendendo que a família hospedeira também possui expectativas, que a adaptação acontece dos dois lados e que diferenças culturais fazem parte da experiência costuma iniciar essa jornada com muito mais tranquilidade.

Ao longo de mais de 40 anos de experiência acompanhando estudantes em intercâmbios de High School nos Estados Unidos, Canadá e diversos outros destinos, a BIL Intercâmbios observa que os intercambistas que vivem as experiências mais enriquecedoras possuem algo em comum: eles chegam preparados para aprender, não para comparar.

Quando essa postura existe desde o primeiro dia, a adaptação acontece de forma mais natural e o estudante cria as bases para uma experiência que vai muito além do aprendizado de um idioma. É nesse momento que começam o amadurecimento, a independência e as transformações que fazem do intercâmbio uma experiência tão marcante.

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