Chegada no High School: Choque Cultural

Tempo de Leitura: 4 minutos

Fazer um intercâmbio High School significa muito mais do que estudar em outro país. O estudante passa a viver dentro de uma cultura completamente diferente da sua, convivendo diariamente com novos hábitos, novas formas de pensar e costumes que, muitas vezes, parecem estranhos à primeira vista.

Esse processo tem um nome: choque cultural.

Apesar de a expressão parecer negativa, ela faz parte de praticamente toda experiência internacional. Afinal, ninguém muda de país esperando encontrar exatamente a mesma rotina que tinha no Brasil.

O mais importante é entender que sentir estranheza em alguns momentos não significa que algo está errado. Pelo contrário. Esse desconforto costuma indicar que o estudante está realmente vivendo uma imersão cultural.


Choque cultural não significa que um país é melhor que o outro

Um dos primeiros aprendizados do intercâmbio é perceber que nem tudo funciona como estamos acostumados.

É comum chegar ao exterior e estranhar a alimentação, os horários, a organização da casa, a forma como as pessoas conversam ou até pequenos detalhes da rotina.

Nesses momentos, muitos estudantes tentam comparar tudo com o Brasil.

Esse é um caminho natural, mas nem sempre ajuda.

Em vez de pensar que uma maneira está certa e a outra está errada, vale a pena enxergar a situação por outro ângulo. São apenas formas diferentes de viver.

Quando o estudante substitui a comparação pela curiosidade, a adaptação acontece de maneira muito mais leve.


Cada família tem hábitos próprios

Nem mesmo duas famílias do mesmo país vivem exatamente da mesma forma.

Algumas casas são extremamente organizadas. Outras possuem um estilo mais descontraído. Há famílias que fazem todas as refeições juntas, enquanto outras têm uma rotina mais corrida.

Por isso, é importante evitar julgamentos precipitados logo nos primeiros dias.

Uma casa pode parecer diferente do que você imaginava e, ainda assim, funcionar perfeitamente para quem mora nela.

O segredo está em observar antes de tirar conclusões.

Além disso, vale lembrar que o estudante é um convidado naquele ambiente. Demonstrar respeito pelos hábitos da família hospedeira cria um relacionamento muito mais positivo desde o início.


A rotina doméstica muda bastante

Um dos choques culturais mais frequentes envolve as tarefas da casa.

No Brasil, muitos adolescentes contam com ajuda dos pais ou de profissionais para cuidar da limpeza e da organização da casa. Em diversos países, a realidade é diferente.

É comum que todos os moradores participem das tarefas domésticas.

Organizar o próprio quarto, lavar a roupa, ajudar com a louça, retirar o lixo ou colaborar com pequenas responsabilidades fazem parte da rotina de muitas famílias hospedeiras.

Isso não significa que o estudante foi ao exterior para trabalhar.

Na verdade, ele passa a participar da dinâmica da casa como qualquer outro membro da família.

Essa participação ajuda no desenvolvimento da autonomia e mostra respeito pelas regras daquele lar.


Alimentação pode ser uma das maiores diferenças

A comida costuma aparecer entre os assuntos mais comentados por intercambistas.

Muitos estudantes chegam esperando encontrar refeições parecidas com as brasileiras e acabam descobrindo hábitos completamente diferentes.

Em alguns países, o café da manhã recebe muito mais atenção do que o almoço.

Já o almoço pode ser uma refeição rápida, composta por sanduíches, frutas ou lanches simples, especialmente durante os dias de aula.

O jantar costuma reunir toda a família, mas também pode ser servido mais cedo do que no Brasil.

Outro detalhe que chama atenção é que muitas famílias preparam porções individuais. Diferentemente do costume brasileiro de colocar travessas sobre a mesa para que todos se sirvam, é comum que cada pessoa receba sua refeição já montada.

No começo, tudo isso pode causar estranhamento.

Com o passar das semanas, porém, esses hábitos passam a fazer parte da nova rotina do estudante.


A casa pode parecer diferente do que você imaginava

Outro choque cultural bastante comum envolve a organização da casa.

Muitos brasileiros estão acostumados com ambientes sempre muito organizados visualmente.

Em alguns países, principalmente onde não é comum contar com funcionários para ajudar nas tarefas domésticas, a casa pode parecer mais “vivida”. Objetos do dia a dia permanecem sobre bancadas, mochilas ficam próximas à porta e itens de uso frequente permanecem à vista.

Isso não significa falta de limpeza.

Existe uma diferença importante entre uma casa organizada de maneira diferente e uma casa suja.

Entender essa distinção evita interpretações equivocadas logo no início da convivência.


Banho, água e consumo também fazem parte da cultura

Outro aspecto que costuma surpreender estudantes brasileiros envolve o uso da água.

Em diversos países, principalmente durante o inverno, as pessoas tomam banhos mais curtos e, em algumas famílias, nem sempre diariamente.

Além disso, o consumo consciente de água faz parte da rotina de muitas casas.

Por esse motivo, o estudante pode encontrar regras relacionadas ao tempo de banho ou aos horários em que determinados equipamentos são utilizados.

Esses hábitos estão ligados ao custo dos serviços, ao clima e à cultura local.

Embora sejam diferentes do que muitos brasileiros estão acostumados, fazem parte da realidade do país que o estudante escolheu conhecer.


Comunicação evita a maioria dos conflitos

Grande parte dos choques culturais deixa de ser um problema quando existe diálogo.

Se alguma regra da casa gerar dúvida, o melhor caminho é perguntar.

Caso o estudante tenha uma necessidade específica relacionada à alimentação, à rotina ou a algum hábito pessoal, conversar com a família costuma trazer resultados muito melhores do que guardar a insatisfação.

A comunicação também ajuda a evitar mal-entendidos.

Muitas vezes, aquilo que parece estranho para o estudante é completamente normal para a família hospedeira. Da mesma forma, comportamentos comuns entre brasileiros podem surpreender quem vive em outro país.

Por isso, perguntar antes de agir continua sendo uma das melhores estratégias durante todo o intercâmbio.


Respeitar não significa abandonar seus costumes

Alguns estudantes acreditam que precisam abrir mão completamente da própria cultura para se adaptar.

Não é assim.

O intercâmbio funciona justamente como uma troca.

O estudante aprende sobre o país que o recebe e, ao mesmo tempo, compartilha um pouco da cultura brasileira.

Preparar uma receita típica, explicar tradições do Brasil ou conversar sobre costumes diferentes costuma despertar bastante interesse nas famílias hospedeiras.

O importante é fazer isso com naturalidade, sem transformar cada conversa em uma comparação sobre qual país é melhor.

Quando existe troca, todos aprendem.


O choque cultural se transforma em aprendizado

Com o passar do tempo, aquilo que parecia estranho deixa de chamar atenção.

O estudante aprende novos hábitos, entende melhor a cultura local e passa a enxergar o mundo sob perspectivas diferentes.

Esse é um dos maiores ganhos do High School no exterior.

Mais do que aprender um idioma, o jovem desenvolve flexibilidade, empatia e capacidade de conviver com pessoas que pensam de maneira diferente.

Essas habilidades acompanham o estudante muito depois do fim do intercâmbio.

Na BIL Intercâmbios, acompanhamos essa transformação há mais de 40 anos. Sabemos que o choque cultural pode causar insegurança nos primeiros dias, mas também sabemos que ele representa uma das partes mais valiosas da experiência. Quando o estudante encara as diferenças com respeito, curiosidade e disposição para aprender, volta para casa não apenas com um novo idioma, mas com uma visão de mundo muito mais ampla.

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